Sapopemba

O CEDECA SAPOPEMBA na luta contra o Genocídio da Juventude Negra!

A partir do seu Plano de Trabalho Político-Pedagógico bienal, o CEDECA “Monica Paião Trevisan” decidiu por priorizar seus esforços no enfrentamento do genocídio da juventude negra com foco na região de Sapopemba. Como entidade defensora dos direitos humanos da criança e do adolescente, entendemos que tal fenômeno alcança todos os adolescentes e jovens que vivem em situação de pobreza, mas impacta também toda a comunidade na medida que subtrai das mulheres que são mães, irmãs e companheiras dos adolescentes e jovens assassinados, o poder de iniciativa e de protagonismo que são elementos fundamentais em qualquer processo de transformação social.

A Secretaria Municipal de Direitos Humanos e Cidadania (SMDHC) divulgou no início do ano a pesquisa inédita “Juventude e violência no município de São Paulo”, sobre mortes causadas por ação policial na cidade. Em 2014, 43% do total de homicídios cometidos pela polícia eram de jovens entre 15 e 19 anos. Metade das mortes cometidas por policias se concentrou em 14 distritos da cidade, com maior incidência no Jardim São Luis, Ermelino Matarazzo, São Miguel Paulista e SAPOPEMBA.

Em 2014, dos 96 distritos da Capital, 71 tiveram mortes registradas por ação policial. No entanto, 14 desses distritos concentram 50% dos 341 assassinatos. São regiões periféricas como SAPOPEMBA (zona leste) e Jardim São Luís (zona sul).

Boletins de ocorrências divulgados pelo Portal da Transparência da Secretaria de Segurança Pública do Estado de São Paulo apontam que 73% dos mortos em decorrência de suposta oposição à intervenção policial no município de São Paulo, entre 1º de junho de 2015 e 31 de maio de 2016, são pardos ou pretos. Nos 326 boletins registrados, ainda constam a idade de 247 pessoas mortas. Conforme os BOs, 45% das vítimas na capital paulista têm entre 18 e 24 anos. Dos 338 mortos, 336 eram homens. Ainda de acordo com os dados, tais ocorrem, em sua imensa maioria, nas periferias da cidade. Os seis bairros que atingiram ou ultrapassaram o número de 10 óbitos do tipo nesse período de um ano são todos periféricos. Itaim Paulista está em primeiro, com 15 mortes; em segundo, Itaquera, com 14; seguido por Cachoeirinha, com 13; e Brasilândia, Jardim Angela e SAPOPEMBA, com 10 mortes em cada bairro.

Sobre o distrito de Sapopemba

Sapopemba é uma das regiões mais pobres do município de São Paulo, sendo o segundo distrito da capital em população e o segundo em densidade demográfica: 296.000 habitantes em 13,5 km².

Educação: 68 Escolas Municipais, 18 Estaduais e 6 telecentros. 2 Centro Educacional Unificado (CEU), 1 Biblioteca Municipal.

Saúde: Para prestar atendimento à população, a região conta com 11 Centros de Saúde, 3 Hospitais, 1 Ambulatório de Especialidades, 1 Centro de Referência de Doenças Sexualmente Transmissíveis/ AIDS, 1 Centro de Atenção Psicossocial para Adultos e 1 CAPS- AD.

Cultura: Dos equipamentos culturais, existem apenas 4 CDM – Centro Desportivo Municipal, 1 Clube Escola (fonte: SME, 2007) e 1 Fábrica de Cultura.

Serviços Sociais: 3 SASF (Serviço de Assistência Social a Família); 17 CCA (Centros para Crianças e Adolescentes); 6 CJ (Centros para a Juventude), 2 na modalidade tipo I e 4 na modalidade I e II, sendo que apenas 3 serviços trabalham com iniciação profissional; 2 serviços de Medidas Socioeducativas; 1 Casa de Passagem e 2 Abrigos.

Segurança: 1 delegacia seccional, 2 distritos policiais (69º e 70º D.P); batalhões (19º e 38º); 2 companhias (sendo a 3ª do 19º e a 2ª do 38º). Da Guarda Civil Metropolitana (G.C.M) temos 01 batalhão e 01 base comunitária. Vale ressaltar que dentre os equipamentos públicos, o maior investimento se deu na área de segurança pública. Em dez anos, entre 2001 e 2010, 93% das pessoas que morreram em supostos tiroteios com a polícia militar em São Paulo moravam na periferia. O distrito com mais casos é Sapopemba, na zona leste, com 52 ocorrências.

População negra: O perfil dos mortos pela polícia em São Paulo é bem definido. São jovens, negros ou pardos, que moram nos bairros da periferia paulistana. A desigualdade social em Sapopemba perpassa, assim, por aspectos econômicos e sociais, pois está presente na ausência de serviços públicos e na falta de oportunidades para a população.

Fonte:
Pesquisa “Juventude e violência no município de São Paulo” (UFScar): https://goo.gl/Bi7hTb
Portal Prefeitura SP Pesquisa revela que 43% das pessoas mortas pela polícia são jovens, maioria negros: https://goo.gl/CfdgkE
Mapa dos homicídios policiais em São Paulo